O Sitio 8 do Programa Ecológico de Longa Duração - PELD (MCTI-CNPq) abrange o estuário da Lagoa dos Patos (ELP) e região costeira adjacente (32° 05' S, 52° 10' W). Este ambiente é estudado desde o final do século XIX (Ihering 1885), e com amostragens frequentes e intermitentes (horária, diária, mensal, sazonal, mensal, anual e inter-anual) desde 1979, formando uma das mais longas séries temporais contínuas em ambiente estuarino no Brasil, com mais de 30 anos de dados bióticos e abióticos.

 

Em 1998 teve início o primeiro projeto do PELD-Brasil no Sitio 08, intitulado “Efeito das perturbações naturais e antrópicas na ecologia do estuário da Lagoa dos Patos”. O principal resultado deste estudo de 10 anos (1998-2008) foi mostrar que “o regime hidrodinâmico do estuário da Lagoa dos Patos sofre profundas alterações devido `a perturbações naturais episódicas, esporádicas e caóticas (eventos climáticos de larga escala como o El Niño Oscilação Sul – ENOS, e tempestades). Foi ainda demonstrado que essas variações, bem como as perturbações antrópicas prolongadas (eutrofização, dragagem e pesca descontrolada), desequilibram a estrutura e alteram a dinâmica de populações e comunidades do bentos, plâncton, necton e a distribuição dos habitats submersos e emersos no estuário da Lagoa dos Patos”.

 

Posteriormente, em 2009 foi aprovado o projeto “Limnificação e ação antrópica no estuário da Lagoa dos Patos: Conseqüências de longo prazo no recrutamento, invasão de espécies e interações tróficas”. Este projeto foi desenvolvido entre 2009 e 2012 e também ficou constatada a importância de fenômenos climáticos de larga escala na ecologia destes ecossistemas. Em períodos de ocorrência do fenômeno El Niño (aquecimento das águas do Oceano Pacífico) verifica-se um aumento significativo das chuvas na região, o que leva a uma diminuição da salinidade e do tempo de residência da água no ELP. Este fato leva a profundas alterações das comunidades de fito, zôo e icitioplâncton, bem como do bentos, peixes e da vegetação submersa e emersa deste ambiente.

 

O projeto lançou mão de algumas inovações metodológicas e tecnológicas como uso de modelos matemáticos para caracterização da hidrologia; utilização de um amostrador contínuo de salinidade e fluorescência (clorofila a) com amostragens horárias da coluna de água ao longo de dois anos; emprego de fotografias de satélite (LANDSAT) para mapeamento da vegetação submersa e uso de isótopos estáveis para determinação precisa de interações tróficas e indicador da eutrofização antrópica do sistema. Além disso, a observação no ELP do mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), espécie invasora de origem límnica e que pode causar grandes impacto a ecologia deste ambiente demonstra a importância da manutenção de estudos contínuos de longa duração no Sitio 8 do Programa Ecológico de Longa Duração.