Título do Banco de Dados

Composição isotópica (C, N) de componentes da teia trófica do ELP

 

Responsáveis pelo Banco de Dados

Alexandre Miranda Garcia

 

e-mail do responsável/contato:

amgarcia.ictiofurg@gmail.com

 

Laboratório

Laboratório de Ictiologia. Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (IO-FURG)

 

Resumo

Isótopos estáveis permitem inferir relações tróficas entre organismos e estimar a posição trófica dos consumidores na cadeia alimentar, sendo que os isótopos estáveis mais comumente empregados para esses fins são o carbono (13C/12C) e nitrogênio (15N/14N), respectivamente. O presente subprojeto emprega isótopos estáveis para avaliar variações espaciais e temporais nas relações tróficas de consumidores em enseadas estuarinas da Lagoa dos Patos (ELP). Produtores primários e outras fontes orgânicas (e.g., matéria orgânica particulada em suspensão e no sedimento) e consumidores (invertebrados e peixes) estão sendo coletados sazonalmente desde 2010 em um canal de marisma e um plano de lama do ELP.

 

Palavras chave

Relações tróficas, Posição trófica, Teia alimentar, Peixes, Macroinvertebrados, Marismas, Macroalgas, Fanerógamas, Matéria orgânica, Estuário

 

Título do Projeto

Subprojeto Relações Trófica Isótopos: Variabilidade espacial e temporal nas relações tróficas de consumidores dominantes em enseadas rasas do estuário da Lagoa dos Patos revelada por isótopos estáveis

 

Metodologia

As amostras biológicas estão sendo coletados sazonalmente desde 2010 em um canal de marisma e um plano de lama do ELP em triplicata para cada espécie dos principais produtores primários (Spartina densiflora, Scirpus maritimus, Scirpus olneyi, Juncus acutus, Rhizoclonium riparium, Ruppia maritma), e outras fontes alimentares basais como matéria orgânica particulada em suspensão (POM) e matéria orgânica particulada no sedimento (SOM). Os produtores primários foram coletados manualmente e com ajuda de tesouras e, posteriormente, inspecionado em estereomicroscopio para remover possíveis fragmentos do caule. O POM foi obtido com a filtragem de aproximadamente 0,25 a 1 litro de água recolhida em cada local em filtros de fibra de vidro (0,75 µm). O SOM foi obtido a partir da remoção de cerca de 2 cm de sedimento superficial utilizando um cano plástico (10 cm de diâmetro) e uma faca. Dentre os consumidores foram selecionadas as espécies dominantes e representativas da macrofauna da região (Seeliger & Odebrecht 1998): peixes (e.g., Atherinella brasiliensis, Jenynsia multidentata, Mugil liza), macrocrustáceos decápodes (e.g., Neohelice granulata, Callinectes sapidus, Farfantepenaeus paulensis) e outros invertebrados infaunais (e.g., Kalliapseudes schubartii, Laeonereis acuta). Os peixes e macrocrustáceos decápodes foram coletados com o uso combinado de rede de arrasto de praia e rede de emalhe (Garcia et al. 2006), enquanto os organismos da infauna foram coletados através um tubo de PVC (10cm de diâmetro; área 0,0078m2), com profundidade de enterramento de 20cm e, posteriormente, peneirados numa malha de 500μm (Pinto & Bemvenuti 2003). Todo material biológico coletado foi acondicionado em sacos plásticos e preservado em gelo até serem transferidos ao laboratório, aonde foram armazenados em freezer até o seu processamento (Jardine et al. 2003, Garcia et al. 2007, Hoeinghaus et al. 2011). Após o descongelamento e antes da extração do tecido, cada amostra animal e vegetal foi cuidadosamente inspecionada para remover epífitas nos filamentos de algas e folhas de fanerógamas, ossos ou escamas em tecidos de peixes, e qualquer outro material aderido a amostra. Depois foi extraído o tecido alvo de cada produtor primário e consumidor: folhas e filamentos da fanerógama (Ruppia maritima) e da macroalga (Rhizoclonium riparium), respectivamente, tecido muscular antero-dorsal e abdominal (aproximadamente 5g cada amostra) de peixes e macrocrustáceos decápodes, respectivamente. Organismos da infauna foram processados inteiros devido à dificuldade em extrair apenas o tecido alvo (e.g., músculo) de organismos muito pequenos (<1mm). Cada amostra foi lavada em água destilada e colocada individualmente em uma placa de vidro (Petri) (previamente esterilizada com banho de HCl por 24h) e levada a estufa (60°C) por 48h. Após, foi macerada (pistilo e grau) e sub-amostras foram pesadas em cápsulas de estanho ultra-puras (Costech, Valencia, CA) e enviadas ao Stable Isotope/Soil Biology Laboratory, University of Geórgia, EUA, para determinação da razão isotópica 13C e 15N). Os resultados foram expressos em notação delta: 13C ou 15N = [(Ramostra/Rpdrão) - 1] * 1000, onde R = 13C/12C ou 15N/14N. O material padrão para o carbono foi Pee Dee Belemnite (PDB) e o padrão de nitrogênio foi o nitrogênio atmosférico.

 

Cobertura espacial

Dois pontos de coleta: canal de marisma (32º 09’ 11.84”S, 52º 06’ 06.21”O) e plano de lama (32º 01’ 17.20”S, 52º 07’ 37.41”O)

 

Cobertura temporal

Sazonalmente desde 2010

 

Espécies coletadas

- Produtores primários (Spartina densiflora, Scirpus maritimus, Scirpus olneyi, Juncus acutus, Rhizoclonium riparium, Ruppia maritma), e outras fontes alimentares basais como matéria orgânica particulada em suspensão (POM) e matéria orgânica particulada no sedimento (SOM).

- Consumidores: peixes (e.g., Atherinella brasiliensis, Jenynsia multidentata, Mugil liza), macrocrustáceos decápodes (e.g., Neohelice granulata, Callinectes sapidus, Farfantepenaeus paulensis) e outros invertebrados infaunais (e.g., Kalliapseudes schubartii, Laeonereis acuta).